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Semear Sabor, Colher Memórias

Eu confesso que quando chegava a esta apresentação estava com algumas dúvidas... Não por duvidar do trabalho da Fátima, da Justa ou do Mário, mas não estava a perceber a dinâmica deste livro. O nome era inspirador mas também com algo de inédito... acho que nunca tinha visto um título de livro com uma vírgula pelo meio... Quando a Fátima fez deste livro um livro de afetos a fazer ponte entre aquilo que tinha aprendido da mãe e o que queria ensinar à sua neta comecei a perceber...

Semear Sabor, Colher Memórias - reservarecomendada.blogspot.pt

São 4 temas, o Bacalhau, a Cataplana, as Cervejarias e os Pastéis e para cada tema enquanto a Fátima nos trás a história e as estórias dos ingredientes, dos pratos, dos restaurantes, a Justa trouxe as receitas, por um lado as receitas base e históricas que cada vez mais é preciso documentar e transmitir e por outro algumas receitas novas a renovar conceitos clássicos. Tudo isto documentado fotograficamente pelo Mário que diz ter ficado depois deste livro com bons contatos para obter loiça vintage portuguesa como aquela que ilustra as bem cuidadas páginas deste livro.


Fiquei com inveja, em especial da Fátima. Não porque me achasse capaz de fazer sequer parecido mas porque se há coisa que me dá especial prazer é conhecer as estórias dos pratos e dos restaurantes, de como foram criadas coisas que são omnipresentes na nossa vida e sobre as quais raramente nos interrogamos, de descobrir como coisas que julgamos intemporais têm por vezes origens mais próximas do que julgamos, de perceber que o como e o porquê é por vezes tão simples e singelo.


Este é um livro que está a pedir para ser uma coleção pois além destes temas, que nem serão os mais óbvios com exceção do incontornável bacalhau, há dezenas de outros temas que poderiam facilmente fazer parte d'As Origens da Gastronomia Portuguesa. Fico à espera.

Portugal - O Melhor Peixe do Mundo - www.wook.pt

O Piquenique da Laranjinha

Conheci a Laranjinha há uns meses atrás. Conforme vamos participando em eventos vamo-nos cruzando com outros bloggers da área ou de áreas contiguas e foi na visita à Fábrica da Sagres que a conheci. Depois fomo-nos cruzando por aí e é sempre um prazer estar com ela com a sua enorme boa disposição. Desde essa altura que vou acompanhando o blogue dela apesar de os blogues de receitas não serem o tipo de blogues que mais acompanho. Mas o blogue da Laranjinha tenta contar mais do que somente uma receita e deverá ser neste momento uma das referencias mais importantes dessa área.

O Piquenique da Laranjinha  - reservarecomendada.blogspot.pt

Caracóis

Começou no mês passado a época dos caracóis e das caracoletas. Diz a tradição popular que a época dos caracóis decorre durante os meses sem erres, começando portanto em Maio e terminando em Agosto. Este ano as chuvas tardias terão atrasado ligeiramente o inicio da época mas mesmo assim já em Abril haviam caracoladas a circular pelas redes sociais fora. Quando não vou comer caracóis fora de casa a sítios como a Adega do Atum (ainda não fui lá picar o ponto este ano...) fazemos em casa, normalmente apanhados pelo meu pai na zona de Vendas Novas.

Caracóis - reservarecomendada.blogspot.pt

A arte da preparação do caracol é uma arte objeto de muitos segredos e os nossos caracóis são sempre melhores que os do vizinho. Esta receita resulta de um cumulo das receitas da minha mãe e do meu sogro ao qual juntei alguns toques pessoais.

O caracóis idealmente não devem comidos logo após a apanha devendo ser mantidos vivos durante alguns dias numa saca ou outro recipiente para limparem alguma terra e outras impurezas que possam ter, podendo ser-lhes dadas rodelas de batata para que não morram à fome nem fiquem magros.

O processo de preparação dos caracóis é demorado e se o processo for feito todo de seguida deverá ser iniciado cerca de 2h a 3h antes da hora do seu consumo. O primeiro passo é verificar se a cerveja já está no frigorífico a refrescar. Se não estiver, reabasteçam o frigorífico e ponham algumas no congelador para garantir que têm cerveja fresca quando começarem a comer os caracóis. Depois deste pormenor critico, podem passar à lavagem dos caracóis que ao contrário da cerveja é um dos pontos de discórdia fervorosa entre os apreciadores de caracóis. Há quem defenda a lavagem utilizando somente água fria e há quem defenda a utilização sal e vinagre na água. O sal e o vinagre provocará uma reação do caracol que supostamente expulsará mais muco (ou como as pessoas normais diriam, ranho...). Os opositores da adição de sal e vinagre na lavagem defendem que o sal e vinagre secarão o caracol e que a reação do animal à agressão consumirá energia e líquidos reduzindo a qualidade do caracol. Eu já os lavei das duas maneiras e confesso que não noto uma diferença assim tão radical. Se optar por usar sal e vinagre use com contenção e somente na primeira água de lavagem. Esta é a prática habitual na minha casa. Independentemente disto, colocar os caracóis num recipiente com a água e esfrega-lhos vigorosamente entre as mãos durante 2 ou 3 minutos, mudar a água e repetir até que a água fique relativamente limpa. Normalmente deverão bastar umas 2 ou 3 águas.


Preferencialmente não os cozinhe logo e deixe-os no tacho sem água durante algum tempo. Não se esqueça de colocar a tampa no tacho pois caso contrário vai ter de andar pela cozinha a apanhar caracóis... Quando faltar cerca de 1h30m para a refeição colocar água no tacho até cobrir os caracóis e pôr o tacho no bico mais pequeno do fogão com o bico no mínimo. Não deverá colocar quaisquer temperos nesta altura. De novo a tampa é essencial... Eles não gostam muito de sauna e vão tentar fugir... A ideia é que a temperatura suba o mais lentamente possível de modo a que os caracóis saiam todos da casca antes de morrerem. Idealmente este processo deverá durar 20 a 30 minutos. Quando já não houver nenhum caracol a tentar trepar a paredes do tacho é sinal que deverão estar todos mortos. Caso deseje dividir o processo de preparação em duas partes este será o ponto ideal para interromper o processo. Conserva-los com água da cozedura e se interromper a preparação por um período prolongado poderá ser recomendável mante-los refrigerados.


Cerca de 1 hora antes de os servir coloca-los em lume médio para a água da cozedura levantar fervura. Agora a tampa do tacho já é dispensável... Já não vão fugir... Após a água ter levantado fervura retirar a espuma que se vai formando à superfície da água da cozedura com uma escumadeira até que esta se deixe de formar. Nesta altura devem juntar-se todos os temperos com a exceção dos orégãos. Normalmente os temperos que uso são sal, uma cebola cortada ao meio, 3 ou 4 alhos em camisa (com a casca), casca de uma laranja, casca de um limão, uma ou duas folhas de louro, uma malagueta fresca sem sementes e bacon cortado em fatias pequenas. Normalmente acrescento um caldo de carne tipo knorr. Heresia, dirão... Mas resulta... Se preferirem podem preparar um caldo de carne caseiro que certamente fará ainda melhor figura. Por vezes uso restos de molhos de pratos de carne para complementar ou substituir o caldo de carne. Da última vez que fiz usei um resto de molho de ensopado de borrego que tinha no congelador. Sejam criativos, tenham só cuidado para não usar molhos demasiado gordurosos, pois embora se deva acrescentar um pouco de gordura no tempero, o molho não deverá ficar gorduroso. Assim se não acrescentaram qualquer outra gordura devem acrescentar um pouco de azeite. O bacon também pode ser substituído por toucinho, presunto ou chouriço embora eu prefira o bacon pela combinação do fumado e da carne magra com a gordura. A malagueta fresca pode ser substituída por secas ou por molhos picantes mas sempre com contenção. O picante deve ser usado para temperar e não gosto que este comece dominar os sabores. Prefiro as malaguetas frescas porquê normalmente dão um picante bastante suave em que se sente o picante sem que este seja demasiado agressivo.

Dois temperos que são menos tradicionais mas que uso com bons resultados é o Glutamato de Sódio (também conhecido como Glu-Tai-Moto ou Aji-No-Moto) e o Caril. O Glutamato de Sódio é uma espécie de sal que confere aos alimentos o chamado quinto sabor, o umani, e que funciona também como intensificador de sabor. É muito usado na comida japonesa e chinesa e devido às suas propriedade de intensificação de sabor permite reduzir a quantidade de sal nos alimentos. É um aditivo alimentar considerado tão ou mais seguro que o sal e provavelmente mais saudável, embora seja por vezes associado a reações alérgicas. Não existem estudos conclusivos acerca da sensibilidade ao Glutamato de Sódio mas os estudos efetuados parecem indicar uma sensibilidade em menos de 1% da população com efeitos muitos ligeiros. Há uns anos um chef amigo partilhou este "segredo" com o pai da Ana e normalmente adicionamos um pouco de Glutamato de Sódio além do sal.


A ideia do caril tive-a enquanto comia uns caracóis na Adega do Atum. A certa altura pareceu-me sentir um ligeiro sabor a caril nos caracóis e pareceu-me bem... Não sei ao certo se eles usam ou não e até pode ter sido a combinação de outros sabores que me fizeram lembrar caril mas o que é certo é que experimentei e resulta. Deve ser usado com contenção, pois o objectivo não é fazer caril de caracol mas só dar ao caracol mais um pouco de tempero. Provavelmente o cheiro a caril ficará a sentir-se na cozinha mas se não exagerarem na quantidade depois não se irá sobrepor aos outros sabores do molho.

Com os temperos todos no tacho deve-se deixar em lume brando durante uns 10, 20 minutos para que os temperos cozinhem e se integrem no sabor do molho e do caracol. Provar o molho para ver se é necessário acrescentar mais sal. Provar os caracóis não servirá de muito pois neste momento estes ainda não deverão ter adquirido todo o sabor dos temperos. Depois de corrigido o nível de sal deixar ao lume durante mais uns minutos e desligar o lume. Só agora deve ser acrescentada uma dose generosa de orégãos. Se o orégãos forem acrescentados juntamente com os outros temperos poderão deixar ficar um amargor menos agradável pelo que só deverão ser acrescentados nesta altura. Há quem use os ramos dos orégãos com menos folhas para evitar este amargor e os junte com o resto dos temperos mas cá em casa preferimos usar as folhas e acrescenta-las só no fim. Com o lume já apagado deverá esperar-se pelo menos meia hora antes de servir os caracóis para que estes ganhem o sabor dos temperos.

Aproveitem esta meia hora para torrarem pão, que com um pouco de manteiga, fará muito boa companhia aos caracóis. Eu sei que quem cresceu a norte do Tejo não percebe bem esta coisa de acompanhar caracóis com pão torrado mas vão por mim, funciona.

A Arte de Bem Comer e da Volúpia - www.wook.pt

Túberas: As Trufas Alentejanas

As túberas ou túbaras é uma variedade de trufas existente com uma certa predominância no Alentejo e no Ribatejo. São aromaticamente menos intensas que as trufas, tendo um sabor bastante suave e delicado. As túberas são um segredo bem guardado e a maioria dos portugueses desconhece esta iguaria. O segredo da sua apanha é passado de pai para filho e raramente é partilhado fora do círculo familiar.


Açorda Alentejana

A Açorda Alentejana é por muitos considerado um dos pratos mais estranhos à fase da terra. Pão com água... quente... Como é que se pode gostar disso?... Em Lisboa chama-se-lhe por vezes de Sopa Alentejana para a distinguir das outras açordas mas nenhum alentejano que se preze lhe chamará assim. É açorda não é sopa... Para mim é dos pratos mais reconfortantes que se pode comer e especialmente adequado aos almoços que se seguem a jantares e noites prolongadas. Nada como uma açorda para apaziguar um estomago reticente devido aos excessos da noite anterior. A açorda, têm assim, desde há alguns anos, um lugar cativo no almoço do dia de Natal da minha família. Pode parecer pouco nobre mas substitui bem a tradicional Roupa Velha e sabe tão bem...


Arroz Doce

O Arroz Doce deve ser um dos doces típicos portugueses mais abrangente geograficamente sendo comum encontrá-lo de Norte a Sul de Portugal sem ser óbvia uma região onde seja mais predominante. A sua abrangência não se limita mesmo ao território português pois por todo o mundo se encontram receitas doces tendo por base arroz cozido em água ou leite. Sendo o arroz uns dos cerais mais consumidos em todo o mundo, acaba por não ser uma surpresa a sua incorporação nas sobremesas de todo o mundo.



Esta receita não será ser muito diferente de muitas outras receitas portuguesas que se podem encontrar na net. O que ela tem de especial é que é a receita da minha mãe. Eu fiz-lhe umas pequenas adaptações em termos de processo sem alterar em nada as proporções e os ingredientes.

Aquecer previamente água. Colocar uma chávena de arroz carolino, um pau de canela, uma casca de limão, uma colher de sopa de manteiga e uma pitada de sal numa panela e cobrir o arroz com a água quente. Deixar levantar fervura e manter a ferver em lume brando. Entretanto deverá aquecer 1 litro de leite gordo para adicionar ao arroz quando toda a água tenha sido absorvida pelo arroz. Vá mexendo de vez em quando. Após o arroz estar cozido juntar um pouco mais do que uma chávena de açúcar e deixar cozer por mais alguns minutos. O açúcar só deve ser adicionado após o arroz estar cozido pois diz-se que se for adicionado antes disso o arroz não ficará bem cozido.

Após o arroz estar cozido poderá acrescentar uma gema de ovo para dar uma cor mais amarelada e menos esbranquiçada ao arroz. Este não é um passo essencial pois não acrescenta assim tanto em termos de aspeto e em termos de sabor não acrescenta quase nada. Mas se o fizer há que ter cuidado para que a gema não coza antes de ficar misturada de modo homogêneo com o arroz. Retirar um pouco do arroz doce para uma tijela, deixar arrefecer um pouco, juntar a gema e rapidamente envolver a gema e o arroz doce de modo a ficar com um aspeto homogêneo. Juntar a mistura de arroz doce com a gema com o resto do arroz na panela mexendo para que para que fique bem misturado.

Colocar em taças individuais ou numa travessa e decorar com canela em pó. Deixar algumas taças sem canela ou decorar só na altura de servir não vá algum dos seus convidados não gostar de canela. Eu recomendo que seja colocado no frigorífico e seja servido fresco pois acho que o frio torna esta sobremesa um pouco mais leve e ainda mais agradável.

Flagrante Delícia - www.wook.pt

Camarão Cozido

Quem está a começar a ler esta receita estará a pensar: - Mas qual é a dúvida em relação a cozer camarão?... Água a ferver com sal, cozer os camarões durante alguns minutos (poucos) até ficarem rosados, escorrer, passar por água fria e arrefecer no frigorífico ou congelador... Qual é a dúvida?...

Bem, isto é fácil demais... Não dá luta...

Camarão Cozido - reservarecomendada.blogspot.pt

Filetes de Atum com Oregãos e Amoras Silvestres

Se a técnica é importante, mais importante são os ingredientes. Muitas vezes mais importante do que utilizar técnicas muito elaboradas é preciso respeitar os ingredientes e quando estamos perante ingredientes de qualidade o papel principal de quem os usa é não estragar.

A preparação que vou apresentar surgiu a partir de três ingredientes simples mas com qualidade e de alguma sorte.

Os três ingredientes

O queijo fresco. O queijo fresco é ingrediente muito interessante que tenho quase sempre no meu frigorífico. É saudável, é muito plástico, liga muito bem com muita coisa e pode-se comer sozinho. Não se dá muito bem com o calor e caso se queira incorporar num prato que vá ao lume é preferível usar requeijão ou mozarella fresca. O queijo fresco que tenho normalmente em casa é da Lactimonte. Chega diariamente ao supermercado em frente da minha casa e começamos a comprar com frequência. Inicialmente confesso que não me chamou muito à atenção, era um queijo fresco industrial de vaca normalmente bastante fresco e bastante agradável mas não parecia passar disso. O problema foi quando compramos de novo queijo fresco de outras marcas e noutros sítios e nos apercebemos que a partir agora todos os outros queijos frescos frescos industriais nós parecem aborrachados por comparação com este...

Os Filetes de Atum com Oregãos. Os Açores têm produtos muito bons que não são facilmente acessíveis em Lisboa mas na Rua de São Julião 58 existe a loja Espaço Açores. Em plena baixa pombalina esta loja surgiu de uma iniciativa conjunta de 4 associações de desenvolvimento local dos Açores e pretende divulgar e vender os produtos açorianos na cidade de Lisboa. Um dos produtos à venda nesta loja são os Filetes de Atum com Oregãos das conservas Santa Catarina de São Jorge. O filete de atum é de excelente qualidade e o azeite aromatizado com oregãos dá-lhe um perfume muito interessante que curiosamente me fez lembrar os aromas das castanhas cozidas com erva-doce, apesar tanto quando sei não levar erva-doce na preparação. Desta gama as conservas de Santa Catarina também produzem os Filetes de Atum com Tomilho e os Filetes de Atum com Batata Doce.

O Doce de Amoras Silvestres. Todos os anos durante o Verão me aparecem em casa amoras silvestres. Os meus pais apanham-nas em alguns sítios que já conhecem e por vezes a quantidade é tanta que para não se estragarem se faz doce que também é frequente aparecer lá por casa. Este não foi feito pela minha mãe mas foi dado por uma amiga, na casa da qual também é comum aparecerem estas coisas. Este doce é um pouco menos doce que o habitual, preservando por isso alguma alguma frescura que por vezes os doces com mais açúcar perdem.

O Prato

O jantar de Domingo é sempre uma refeição atípica. Normalmente apetece uma refeição mais leve do que aquelas que comemos durante o resto do fim de semana mas temos um pouco mais de tempo e paciência para fazer alguma coisa um pouco mais elaborada. Neste Domingo até não tinha muito tempo e olhando para o frigorífico o que mais se adequava a servir de base a qualquer coisa que fizesse era queijo fresco.

Uma boa combinação com o queijo fresco, que eu já tinha experimentado noutras ocasiões, são as conservas de peixe em azeite, que existem sempre na minha dispensa. Parece uma combinação estranha mas resulta bastante bem pois a gordura da conserva liga bastante bem com o queijo fresco.

Assim cortei o queijo fresco em oito rodelas que dividi por dois pratos, temperei com um pouco de sal e pimenta acabada de moer. Abri a lata de Filetes de Atum em Azeite e Oregãos e reservei o azeite com oregãos. A lata de filetes de atum trazia quatro filetes que retirei da lata sem partir e que coloquei em cima das rodelas de queijo fresco (dois em cada prato). Coloquei um pouco do azeite com os oregãos por cima dos filetes.

Aqui assaltou-me a dúvida e tive receio que a gordura do azeite pudesse tornar muito enjoativa a combinação entre o filete e o queijo fresco. Normalmente quando uso este tipo de combinação incluo outras coisas como pão ou tomate que equilibram este potencial excesso de gordura. Mas desta vez não me estava a apetecer ir por aí e quando vasculhava o meu frigorífico os meus olhos depararam-se no frasco de doce de amoras silvestres. Bem, o doce deve cortar o excesso de gordura e a coisa até é capaz de funcionar... Coloquei então quatro colheres pequenas de doce (uma em cima de cada rodela de queijo fresco) e assim ficou.


Há dias em que as coisas correm bem e este foi um deles. O três ingredientes ligaram na perfeição e o doce ligou perfeitamente com a gordura dos filetes e com o queijo fresco resultando numa combinação improvável mas muito interessante.

Um pormenor a melhorar se voltar a fazer isto, é a apresentação. Provavelmente com uma rodela de queijo fresco mais alta, o doce por cima do queijo fresco e o filete por cima do doce ficaria mais interessante visualmente.

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