Para terminar (finalmente...) os artigos de balanço de 2015 faltava aqui falar da Gala dos Vinhos do Tejo na qual tenho estado presente nos últimos anos e na qual voltei a estar presente mais uma vez. É um dos momentos altos da industria vitivinícola do Tejo e que tem vindo nos últimos anos a juntar a componente gastronómica à componente vínica por via do concurso Tejo Gourmet.
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Taste Wars - Episódio III - Todo o Esporão Reserva
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
7.8.16
Continuação de Taste Wars - Episódio II - Estado d'Alma
A outra face do Estado d'Alma é o Bistrô. O Estado d'Alma Bistrô quase passa despercebido como uma cafetaria anónima como tantas outras em Lisboa mas se prestar um pouco de atenção encontrará diferenças notórias como uma decoração com motivos vínicos, caves de vinhos com temperatura controlada e copos de qualidade nas mesas. E alguns daqueles vinhos que o Tiago tem na garrafeira estão aqui disponíveis a copo ou à garrafa podendo acompanhar a carta petisqueira do espaço onde também se podem encontrar bifes, saladas, omeletes e sanduiches. Comida simples mas muito bem feita. E tudo isto com um serviço de sommelier de fazer inveja a muitos restaurantes com pretensões em ter um serviço de topo.
A outra face do Estado d'Alma é o Bistrô. O Estado d'Alma Bistrô quase passa despercebido como uma cafetaria anónima como tantas outras em Lisboa mas se prestar um pouco de atenção encontrará diferenças notórias como uma decoração com motivos vínicos, caves de vinhos com temperatura controlada e copos de qualidade nas mesas.
Os Frescos da Ravasqueira
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
3.8.16
Com a chegada do Verão todos os produtores têm vindo nos últimos meses a colocar no mercado os seus brancos e rosés e o Monte da Ravasqueira não é exceção. Localizada junto a Arraiolos e com uma ligação de 3 gerações à família José de Mello, a produção vinícola no Monte da Ravasqueira iniciou-se na década de 90 do século passado tendo a primeira vindima sido realizada já em 2003. Embora alicerçada numa propriedade com história e de carácter familiar a produção vinícola é recente e procura reger-se por critérios de modernidade e profissionalismo. É na sequência desta progressão que o Monte da Ravasqueira tem vindo paulatinamente a assumir um protagonismo cada vez maior. É neste enquadramento que surgem estes 3 brancos e 1 rosé da colheita de 2015.
Os Melhores do Ano 2015
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
20.7.16
Continuando a minha extremamente atrasada caminhada pelo balanço do ano de 2015 queria deixar por aqui um curto apontamento acerca da Gala dos Melhores do Ano da Revista de Vinhos que se realizou no inicio deste ano. Sendo a tradição recente deste evento a alternância entre Lisboa e o Porto, este ano essa tradição foi quebrada com a realização deste evento no Centro de Alto Rendimento de Sangalhos em plena Bairrada. A Bairrada é uma das regiões nacionais que tem vindo a procurar afirmar-se como região a nível nacional e internacional e a realização deste evento por terras bairradinas foi mais uma acção a concorrer para a promoção da região que quer recuperar um prestigio que teve em meados do século passado ainda antes de ser uma região demarcada e que se desgastou um pouco no final deste século.
Pôpa Fiction
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
9.7.16
O ar quente invadia os escritório escuro do Leonardo, sempre que Agosto chegava era a mesma coisa, baixava-se o estores e enquanto o sol deixava marcas lá fora deixava-se a penumbra entrar silenciosamente. O Leonardo não gostava nada disto, fazia-lhe confusão que com tanta luz lá fora tivesse de que andar a apalpar caminho dentro do escritório. Mas a Adriana era implacável e se a temperatura subisse dos 20 graus era preciso aplacar de uma vez por todas o calor e o sol deixava de ter ordem para entrar. Mas naquela tarde até a inflexibilidade da Adriana estava com dificuldade em conter a calor lá fora, e ficava-se na dúvida se as ventoinhas espalhadas pelo escritório refrescavam o ar ou se simplesmente ajudavam o ar quente a tomar conta do espaço.
Da Cave da Dona Matilde
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
29.6.16
Foi no ido ano de 1927 que Manuel Moreira de Barros adquiriu a Quinta do Enxodreiro também conhecida com Quinta de Bagaúste devido à toponímia da sua localização. Era uma das quintas pertencentes à demarcação original do Douro classificada com letra A, a mais alta classificação da Região Demarcada do Douro. A propriedade encontrava-se em ruínas e Manuel Moreira de Barros recuperou-a e deu-lhe o nome de Dona Matilde, a sua esposa. Sete anos antes, Manuel Moreira de Barros tinha entrado como sócio na firma Almeida em Comandita do seu cunhado Manuel de Almeida dando origem à Barros, Almeida & Cª que por sua vez foi a base do Grupo Barros do qual também vieram a fazer parte entre outras empresas como a Kopke.
Taste Wars - Episódio II - Estado d'Alma
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
5.6.16
Continuação de Taste Wars - Episódio V - #2 Jour to Cook
Conheci o Tiago numa prova de vinhos velhos organizada pelo João Chambel no Vestigius. Os vinhos dessa prova eram provenientes da sua garrafeira, Estado D'Alma. Não demorou muito até passar pela garrafeira e a partir daí tornou-se uma referencia. O stock de vinho velhos, ou antes, vinhos fora dos circuitos normais de comercialização que é possível encontrar por lá é verdadeiramente extraordinário. O Tiago compra estes vinhos por atacado provenientes de restaurantes fechados, de adegas particulares ou mesmo de stocks "esquecidos" de distribuidores e até produtores e isso permite-lhe ter preços muito baixos para vinhos muitos antigos que já não é possível obter noutros locais.
Conheci o Tiago numa prova de vinhos velhos organizada pelo João Chambel no Vestigius. Os vinhos dessa prova eram provenientes da sua garrafeira, Estado D'Alma. Não demorou muito até passar pela garrafeira e a partir daí tornou-se uma referencia. O stock de vinho velhos, ou antes, vinhos fora dos circuitos normais de comercialização que é possível encontrar por lá é verdadeiramente extraordinário.
Quinta do Cardo Síria 2015 et al.
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
1.6.16
Este vinho é um velho conhecido. Foi-me apresentado pelo Jorge numa declinação de outros tempos já com algum tempo de garrafa num Winenique à 3 anos. Era o Quinta do Cardo Síria 2006 que impressionava pela vivacidade que ainda tinha passados 7 anos da colheita. Após esta apresentação ainda consegui encontrar umas garrafas deste vinho perdidas por algumas prateleiras e que fui repescando. Entretanto esse pequeno espólio esgotou-se e foi com entusiasmo que recebi uma garrafa do Quinta do Cardo Síria 2014 enviada juntamente com outras garrafas pela Companhia das Quintas. Veio com uma bem conseguida renovada imagem e não me desiludiu. Foi a minha primeira escolha para o prato de peixe do Bloggers Challenge mas estaria esgotado tive que encontrar uma alternativa. Acabei por não escrever sobre ele nem sobre os outros vinhos da Companhia das Quintas que recebi. Quando vi a declinação de 2015 deste vinho disponível na prateleira do supermercado não hesitei e comprei algumas garrafas para me fazerem companhia neste Verão que tarda em chegar.
E o melhor vinho de 2015...(finalmente...) é...
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
28.5.16
O último ano tem sido definitivamente complicado... Muita coisa ficou por escrever... Por vezes ainda penso que será agora que vou conseguir por a escrita em dia mas quando dou por isso passou uma semana e não consegui escrever mais nada... Tanto é assim que só agora vou escrever o último capitulo dos melhores de 2015 com o vinho que gostei mais em 2015.
BPI Wine & Food 2016
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
17.5.16
O BPI Wine & Food é um novo evento enogastronómico organizado pelo Cofina em parceria com o BPI e que se realizou no último fim de semana de Abril no Pateo da Galé. A ambição é que se torne num evento incontornável da Primavera lisboeta com um programa cheio de provas, workshops e showcookings num ambiente informal.
Semana Gastronómica Italiana no Tryp Oriente
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
28.4.16
O Augusto Gemelli é um dos chefs que teve um importante papel naquilo que se tornou a cozinha de autor em Portugal. Não sendo o único nem o primeiro a praticar uma cozinha de autor em Portugal foi um dos que pela sua notoriedade conseguiu tirar a cozinha de autor de alguns palcos mais restritos para a democratizar e contribuir para a criação de espaço para todos os jovens chefes que têm vindo recentemente a modernizar a gastronomia portuguesa.
Quinta do Gradil
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
1.4.16
A Quinta do Gradil é a bandeira do grupo Parras embora a atuação do grupo se estenda por 6 regiões vitivinícolas quer por via das suas propriedades próprias ou através dos seus parceiros a que dá apoio de viticultura e enológico. Pretende-se ter um bom equilíbrio entre o volume e os pequenos lotes direccionados a mercados mais exigentes. O volume por via de algumas marcas que se encontram na grande distribuição e os pequenos lotes por via da marca Quinta do Gradil e de algumas outras marcas próprias ou de parceiros.
Bloggers Challenge the Third
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
9.3.16
No passado dia 4 de Fevereiro realizou-se a terceira edição do Bloggers Challenge. Desta vez o local da contenda foi o Volver de Carne y Alma, um restaurante bem interessante que há uns anos se chamava Quinta de Frades e há uns anos mudou para um registo mais carnívoro em torno carne e da comida com inspiração na Argentina. Nos tempos da Quinta dos Frades quando conheci este restaurante o Chakall era consultor no restaurante e na cozinha como chefe residente estava o Igor Martinho que em 2009 ganhou o concurso Chefe Cozinheiro do Ano.
Taste Wars - Episódio I - As Carrafouchas
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
9.2.16
Há cerca de ano e meio juntámos uns amigos na Quinta das Carrafouchas para uma desbunda vínica e petisqueira. Grelhou-se carne, eu levei espargos e tubaras para fazer com ovos, havia carne e vinhos do Joaquim Arnaud, levando cada pelo menos um vinho a que se juntaram os vinhos do António Maria.
Tenho um carinho especial pelos vinhos das Carrafouchas, que são vinhos despretensiosos mas cheios de carácter e apresentando uma relação qualidade preço muito boa. Bem, afirmar que têm carácter é um eufemismo, e o mais correto seria dizer são vinhos enxertados em corno de cabra, aliás como o seu produtor, o António Maria. Se os brancos são Arintos e por isso mais previsíveis, os tintos feitos com Tinta Roriz e Touriga Nacional portam-se como animais selvagens sempre imprevisíveis revelando-se diferentes a cada colheita, com evoluções quase imprevisíveis em garrafa e mesmo no copo ao longo da prova fazendo-nos por vezes pensar se ainda estamos a beber o mesmo vinho. Qualquer nota de prova a estes vinhos será sempre como uma Polaroid que captura um momento único e irrepetivel.
Estas provas foram sendo feitas ao longo dos últimos anos e marcam momentos únicos mas que ainda assim são indicadores aquilo que estes vinhos têm para oferecer apesar de nem serem os vinhos mais recentes das Carrafouchas. Lá pelo final de 2013 o Quinta das Carrafouchas Tinto 2008 mostrava-se granada translúcido com muita fruta e algum balsâmico no nariz. Acidez ligeira mas a deixar uma interessante secura na boca acompanhada por algum licorado e alcaçuz. Passado um ano, o Quinta das Carrafouchas Tinto 2009 apresentava-se granada opaco, com ligeiras violetas, alguma tinta da china e químico a dar-lhe um carácter mineral. Boa acidez, com alguns taninos e vegetal mas ainda assim sedoso e muito guloso na boca.
A Quinta das Carrafouchas será ainda o produtor de vinho mais próximo de Lisboa, com excepção para as vinhas da Faculdade de Agronomia e do projeto algo bizarro que levou recentemente à plantação uma vinha à beira da 2a Circular. O António Maria tem vindo a preparar uma estrutura virada para a vinha que lhe permite a organização de eventos e foi por aí estivemos nessa noite. Durante a vindimas e não só, o António Maria tem vindo a usar esta estrutura para a realização de eventos que permitem conhecer estes vinhos e o seu berço aqui bem perto de Lisboa.
Nessa noite uma das pessoas que se juntou a nós foi o Manel Lino. O nome dele não me era estranho pois tinha trabalhado com o Alexandre Silva e estava naquele momento a trabalhar num popup de praia na Comporta. Andávamos com curiosidade de conhecer a cozinha dele e da sua equipa e Ana tinha mesmo tentado lá ir nos seus anos mas o restaurante ainda não estava aberto. Acabamos por não chegar a lá ir mas entretanto ficamos a saber que o Manel iria ficar à frente do restaurante do Hotel Bessa que viria a abrir na Avenida da Liberdade no início de 2015.
Continua em Taste Wars - Episódio IV - Tabik


Tenho um carinho especial pelos vinhos das Carrafouchas, que são vinhos despretensiosos mas cheios de carácter e apresentando uma relação qualidade preço muito boa. Bem, afirmar que têm carácter é um eufemismo, e o mais correto seria dizer são vinhos enxertados em corno de cabra, aliás como o seu produtor, o António Maria. Se os brancos são Arintos e por isso mais previsíveis, os tintos feitos com Tinta Roriz e Touriga Nacional portam-se como animais selvagens sempre imprevisíveis revelando-se diferentes a cada colheita, com evoluções quase imprevisíveis em garrafa e mesmo no copo ao longo da prova fazendo-nos por vezes pensar se ainda estamos a beber o mesmo vinho. Qualquer nota de prova a estes vinhos será sempre como uma Polaroid que captura um momento único e irrepetivel.
Estas provas foram sendo feitas ao longo dos últimos anos e marcam momentos únicos mas que ainda assim são indicadores aquilo que estes vinhos têm para oferecer apesar de nem serem os vinhos mais recentes das Carrafouchas. Lá pelo final de 2013 o Quinta das Carrafouchas Tinto 2008 mostrava-se granada translúcido com muita fruta e algum balsâmico no nariz. Acidez ligeira mas a deixar uma interessante secura na boca acompanhada por algum licorado e alcaçuz. Passado um ano, o Quinta das Carrafouchas Tinto 2009 apresentava-se granada opaco, com ligeiras violetas, alguma tinta da china e químico a dar-lhe um carácter mineral. Boa acidez, com alguns taninos e vegetal mas ainda assim sedoso e muito guloso na boca.
A Quinta das Carrafouchas será ainda o produtor de vinho mais próximo de Lisboa, com excepção para as vinhas da Faculdade de Agronomia e do projeto algo bizarro que levou recentemente à plantação uma vinha à beira da 2a Circular. O António Maria tem vindo a preparar uma estrutura virada para a vinha que lhe permite a organização de eventos e foi por aí estivemos nessa noite. Durante a vindimas e não só, o António Maria tem vindo a usar esta estrutura para a realização de eventos que permitem conhecer estes vinhos e o seu berço aqui bem perto de Lisboa.
Nessa noite uma das pessoas que se juntou a nós foi o Manel Lino. O nome dele não me era estranho pois tinha trabalhado com o Alexandre Silva e estava naquele momento a trabalhar num popup de praia na Comporta. Andávamos com curiosidade de conhecer a cozinha dele e da sua equipa e Ana tinha mesmo tentado lá ir nos seus anos mas o restaurante ainda não estava aberto. Acabamos por não chegar a lá ir mas entretanto ficamos a saber que o Manel iria ficar à frente do restaurante do Hotel Bessa que viria a abrir na Avenida da Liberdade no início de 2015.
Continua em Taste Wars - Episódio IV - Tabik
A Nova Tágide
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
15.12.15
A Tágide é desde algum tempo um clássico lisboeta que apesar de não andar nas bocas do mundo tem mantido um nível de qualidade muito consistente e uma clientela fiel. Apela a uma clientela relativamente conservadora que gosta de um serviço requintado e com alguma inovação desde que as suas referencias continuem bem presentes. É nesta matriz que o Nuno Diniz assume a liderança d'A Tágide.
O Nuno Diniz vem de uma longa associação ao restaurante da York House, espaço que me parecia ter algumas semelhanças com A Tágide no conceito, salvaguardando o facto de ser um restaurante de hotel o que trás sempre diferenças em termos de público. Um dos grandes focos do Nuno Diniz tem sido ultimamente a Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa onde passa para uma nova geração o seu amplo conhecimento das técnicas, dos produtos e dos pratos da gastronomia portuguesa. Tem uma abordagem relativamente clássica dando primazia ao produto enquadrado em propostas que sem serem completamente convencionais assentam nas bases clássicas não tendo a rotura ou a diferenciação como fins por si próprios.
Um dos primeiros atos públicos desta associação foi um Jantar Vínico que contou com os vinhos da Niepoort que servia também como uma espécie de apresentação da nova carta d'A Tágide. O primeiro prato foi a Terrina de Foie Gras com Marmelo e Brioche, uma combinação ganhadora com o doce da massa do brioche e das passas que estavam na massa a cortarem a gordura do foie gras. A couve e o marmelo passaram um pouco ao lado com a couve a dar um pouco de textura e a marmelada a acompanhar o brioche na sua doçura. O vinho escolhido para acompanhar este prato foi o Niepoort Porto Branco 10 anos e fazia-o bastante bem esplorando também a ligação entre a doçura do vinho e o gordura do foie. Este Niepoort Porto Branco 10 anos mostrava-se laranja claro e com aromas ligeiros a laranja. Na boca mostrava uma acidez exuberante e ainda assim notava-se a doçura que acabava no entanto bem mediada pela acidez que lhe dava um ótimo comprimento de boca.
Seguiu-se o prato de peixe, o Peixe-Galo em Beurre Blanc, que estaria muito ligeiramente acima do ponto ideal para mim sem que isso prejudicasse o prato. Muito bem acompanhado pelo puré de batata e por o que parecia ser uma espécie de vinagrete que deveria ter sumo de laranja que liga sempre muito bem com estes peixes de carne branca e com mais sabor a mar. Escondidos no puré havia ainda uns grelos que tinham como objectivo dar textura ao acompanhamento e que cumprindo essa função apresentavam o problema não se cortarem facilmente o que acabava dificultar a sua abordagem. Foi, para mim, o prato da noite embora a luta com o prato de carne tenha sido acesa. A acompanhar o prato de peixe tínhamos o Redoma Branco 2014. O Redoma Branco 2014 mostrava-se amarelo claro ligeiramente esverdeado e com aromas minerais e um ligeiro cítrico. Na boca mostra boa acidez e um ligeiro vegetal. Pareceu-me notar uma ligeira doçura que acabava por lhe dar mais algum corpo na boca. É um grande vinho que já dá muito prazer e que ligou muito bem com o prato mas sempre que bebo vinhos como este tão novos fico sempre com um peso na consciência por estar a cometer a mais infame pedofilia vínica.
Seguiu-se como prato de carne a Bochecha de Vitela Barrosã que comentava-se tinha exigido o sacrifício de umas dezenas de vacas só para aquele jantar. Não é um corte habitual sendo bem mais comuns as bochechas de porco. Curiosa esta carne com sabores bem mais intensos do que a carne de vaca corrente mostrando um ligeiro amargor e um perfil de sabor que acabava por estar mais perto do cabrito do que da carne de vaca corrente. Confesso que neste tipo de carnes que prefiro que sejam submetidas a marinadas longas de maneira a retirar-lhes um pouco dessa sua rusticidade, mas sei que muita gente prefere te-la assim com sabores mais intensos e rústicos. Era assim um prato muito interessante pela novidade mas ao mesmo tempo um prato cheio de conforto.
Para acompanhar este prato havia dois vinhos para comparar a harmonização, o Redoma Tinto 2013 e o Conciso 2012. O Conciso é um Dão da Niepoort e à partida deveria ser uma melhor escolha em termos de harmonização tendo em conta o sabor forte da carne que deveria harmonizar bem com um vinho com boa acidez, alguns taninos e com aromas menos exuberantes e mais diretos como é habitual no Dão. O Conciso mostrava-se granada translucido com laivos violeta, aromas químicos com alguma terra molhada e algum floral proporcionando um conjunto algo exuberante no nariz. Na boca mostrava uma acidez também exuberante que lhe dava frescura mas também alguma sensação de verde. Acabei por acha-lo um pouco exuberante demais tornando-se uma distração com o prato. É um vinho que tem um perfil um pouco atípico que é e será um grande vinho mas para mim ainda está demasiado jovem. Mas muita gente gostará dele já assim. O Redoma pareceu-me mais próximo daquilo que seria para mim o ponto ideal de consumo mostrando-se granada translúcido com laivos violeta, com aromas balsâmicos e algumas violetas. Na boca mostrava boa acidez e taninos ligeiros muito elegantes. Acabei por preferi-lo tanto a solo como com o prato pois apesar do seu perfil parecer menos ajustado ao prato não tinha a exuberância do Conciso que para mim se revelou algo dissonante com o prato.
A sobremesa vinha pela mão de Francisco Siopa e apresentava uma Babá com Porto com Pêra Rocha a dois tempos e Frutos Secos. A pêra julgo ter sido embebedada com o vinho com que foi servida sendo acompanhada por uma babá que além do habitual rum também tinha o mesmo vinho. A Babá ou Babá ao Rum é um bolo tradicional napolitano em que a massa é embebida em rum. O conjunto resultava numa sobremesa muito elegante em que os frutos secos secos acrescentavam textura e sabores muito interessantes. O Niepoort Colheita 2005 mostrava-se acobreado, revelando aromas de frutos secos não muito exuberantes. Na boca mostrava boa acidez que proporcionava um bom comprimento de boca. Para fechar a refeição ainda foi servido um Niepoort LBV 2011 juntamente com excelentes trufas também feitas pela Siopa Chocolatier. O LBV mostrava-se Ruby opaco com laivos violeta e com aromas algo fechados com alguns aromas florais com a violeta a destacar-se. Na boca mostra uma acidez ligeira e alguns taninos a deixar revelar a juventude deste LBV.
A associação entre o chef Nuno Diniz e A Tágide parece assim ter tudo para dar resultado e parece poder proporcionar um encontro gracioso entre a técnica e primazia ao produto do chef Nuno Diniz e o desejo de refinamento e qualidade da fiel clientela d'A Tágide. O chef Nuno Diniz vai continuar n'A Tágide uma tradição iniciada há uns anos com a realização de 2 ou 3 almoços de cozido todos os anos. O primeiro será já em Janeiro, não sei se ainda valerá a pena correr a reservar pois no dia deste jantar já haveria poucos lugares, mas não perdem nada em tentar...


O Nuno Diniz vem de uma longa associação ao restaurante da York House, espaço que me parecia ter algumas semelhanças com A Tágide no conceito, salvaguardando o facto de ser um restaurante de hotel o que trás sempre diferenças em termos de público. Um dos grandes focos do Nuno Diniz tem sido ultimamente a Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa onde passa para uma nova geração o seu amplo conhecimento das técnicas, dos produtos e dos pratos da gastronomia portuguesa. Tem uma abordagem relativamente clássica dando primazia ao produto enquadrado em propostas que sem serem completamente convencionais assentam nas bases clássicas não tendo a rotura ou a diferenciação como fins por si próprios.
Um dos primeiros atos públicos desta associação foi um Jantar Vínico que contou com os vinhos da Niepoort que servia também como uma espécie de apresentação da nova carta d'A Tágide. O primeiro prato foi a Terrina de Foie Gras com Marmelo e Brioche, uma combinação ganhadora com o doce da massa do brioche e das passas que estavam na massa a cortarem a gordura do foie gras. A couve e o marmelo passaram um pouco ao lado com a couve a dar um pouco de textura e a marmelada a acompanhar o brioche na sua doçura. O vinho escolhido para acompanhar este prato foi o Niepoort Porto Branco 10 anos e fazia-o bastante bem esplorando também a ligação entre a doçura do vinho e o gordura do foie. Este Niepoort Porto Branco 10 anos mostrava-se laranja claro e com aromas ligeiros a laranja. Na boca mostrava uma acidez exuberante e ainda assim notava-se a doçura que acabava no entanto bem mediada pela acidez que lhe dava um ótimo comprimento de boca.
Seguiu-se o prato de peixe, o Peixe-Galo em Beurre Blanc, que estaria muito ligeiramente acima do ponto ideal para mim sem que isso prejudicasse o prato. Muito bem acompanhado pelo puré de batata e por o que parecia ser uma espécie de vinagrete que deveria ter sumo de laranja que liga sempre muito bem com estes peixes de carne branca e com mais sabor a mar. Escondidos no puré havia ainda uns grelos que tinham como objectivo dar textura ao acompanhamento e que cumprindo essa função apresentavam o problema não se cortarem facilmente o que acabava dificultar a sua abordagem. Foi, para mim, o prato da noite embora a luta com o prato de carne tenha sido acesa. A acompanhar o prato de peixe tínhamos o Redoma Branco 2014. O Redoma Branco 2014 mostrava-se amarelo claro ligeiramente esverdeado e com aromas minerais e um ligeiro cítrico. Na boca mostra boa acidez e um ligeiro vegetal. Pareceu-me notar uma ligeira doçura que acabava por lhe dar mais algum corpo na boca. É um grande vinho que já dá muito prazer e que ligou muito bem com o prato mas sempre que bebo vinhos como este tão novos fico sempre com um peso na consciência por estar a cometer a mais infame pedofilia vínica.
Seguiu-se como prato de carne a Bochecha de Vitela Barrosã que comentava-se tinha exigido o sacrifício de umas dezenas de vacas só para aquele jantar. Não é um corte habitual sendo bem mais comuns as bochechas de porco. Curiosa esta carne com sabores bem mais intensos do que a carne de vaca corrente mostrando um ligeiro amargor e um perfil de sabor que acabava por estar mais perto do cabrito do que da carne de vaca corrente. Confesso que neste tipo de carnes que prefiro que sejam submetidas a marinadas longas de maneira a retirar-lhes um pouco dessa sua rusticidade, mas sei que muita gente prefere te-la assim com sabores mais intensos e rústicos. Era assim um prato muito interessante pela novidade mas ao mesmo tempo um prato cheio de conforto.
Para acompanhar este prato havia dois vinhos para comparar a harmonização, o Redoma Tinto 2013 e o Conciso 2012. O Conciso é um Dão da Niepoort e à partida deveria ser uma melhor escolha em termos de harmonização tendo em conta o sabor forte da carne que deveria harmonizar bem com um vinho com boa acidez, alguns taninos e com aromas menos exuberantes e mais diretos como é habitual no Dão. O Conciso mostrava-se granada translucido com laivos violeta, aromas químicos com alguma terra molhada e algum floral proporcionando um conjunto algo exuberante no nariz. Na boca mostrava uma acidez também exuberante que lhe dava frescura mas também alguma sensação de verde. Acabei por acha-lo um pouco exuberante demais tornando-se uma distração com o prato. É um vinho que tem um perfil um pouco atípico que é e será um grande vinho mas para mim ainda está demasiado jovem. Mas muita gente gostará dele já assim. O Redoma pareceu-me mais próximo daquilo que seria para mim o ponto ideal de consumo mostrando-se granada translúcido com laivos violeta, com aromas balsâmicos e algumas violetas. Na boca mostrava boa acidez e taninos ligeiros muito elegantes. Acabei por preferi-lo tanto a solo como com o prato pois apesar do seu perfil parecer menos ajustado ao prato não tinha a exuberância do Conciso que para mim se revelou algo dissonante com o prato.
A sobremesa vinha pela mão de Francisco Siopa e apresentava uma Babá com Porto com Pêra Rocha a dois tempos e Frutos Secos. A pêra julgo ter sido embebedada com o vinho com que foi servida sendo acompanhada por uma babá que além do habitual rum também tinha o mesmo vinho. A Babá ou Babá ao Rum é um bolo tradicional napolitano em que a massa é embebida em rum. O conjunto resultava numa sobremesa muito elegante em que os frutos secos secos acrescentavam textura e sabores muito interessantes. O Niepoort Colheita 2005 mostrava-se acobreado, revelando aromas de frutos secos não muito exuberantes. Na boca mostrava boa acidez que proporcionava um bom comprimento de boca. Para fechar a refeição ainda foi servido um Niepoort LBV 2011 juntamente com excelentes trufas também feitas pela Siopa Chocolatier. O LBV mostrava-se Ruby opaco com laivos violeta e com aromas algo fechados com alguns aromas florais com a violeta a destacar-se. Na boca mostra uma acidez ligeira e alguns taninos a deixar revelar a juventude deste LBV.
A associação entre o chef Nuno Diniz e A Tágide parece assim ter tudo para dar resultado e parece poder proporcionar um encontro gracioso entre a técnica e primazia ao produto do chef Nuno Diniz e o desejo de refinamento e qualidade da fiel clientela d'A Tágide. O chef Nuno Diniz vai continuar n'A Tágide uma tradição iniciada há uns anos com a realização de 2 ou 3 almoços de cozido todos os anos. O primeiro será já em Janeiro, não sei se ainda valerá a pena correr a reservar pois no dia deste jantar já haveria poucos lugares, mas não perdem nada em tentar...
Comer e Beber em Lisboa
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
8.12.15
Como publiquei aqui há umas semanas atrás a Stay.com convidou-me a elaborar um guia com os meus locais favoritos em Lisboa para comer e beber vinho. Pediram-me 8 a 10 locais mas eu entusiasmei-me um bocado e escolhi 16 locais. Acabei por dividir os 16 locais em 2 guias de 8 locais cada. Um deles ficou com o nome de Wine and Dine in Lisbon e é este guia que publico aqui numa versão traduzida para português.
O Verão de São Fonseca
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
12.11.15
Tenho por aqui um stock de provas de vinhos que deviam ter sido despachadas antes do Verão mas isto de fazer moonlighting como blogger de vinhos e gastronomia não é tão fácil como parece e tem dias que depois de um dia trabalho, apetece mais dormir do que escrever. Assim vou a aproveitar os dias soalheiros que brindaram o São Martinho para falar de alguns vinhos da José Maria da Fonseca que seriam mais de Verão mas como nesta tasca se bebem brancos e rosés o ano inteiro ficam tão bem agora como há 3 meses atrás.
Harmonização de Vinhos
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
8.11.15
Conseguir harmonizar vinhos com comida é uma tarefa bastante subjetiva e apesar de existirem algumas regras base nenhuma destas regras é absoluta podendo o vinho certo para cada ocasião variar com o mais variados fatores e ser diferente de pessoa para pessoa. Se tiver tempo e paciência poderá encontrar aqui algumas das regras base que uso para harmonizações. Caso tenha os amigos a bater à porta para jantar e precise de uma solução rápida salte desde já para o parágrafo final.


Podem ler o resto deste artigo na edição 63 da Paixão pelo Vinho clicando aqui.
Incógnito
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
16.10.15
Está a aproximar-se a passos largos um dos momentos dos ano mais importantes para o panorama viníco português. Esta época do ano é fértil em eventos de vinhos pois com o fim das vindimas e com o aproximar do Natal, um dos períodos mais importantes em termos de vendas, é altura de colocar no terreno todo o esforço de marketing e divulgação disponível. Esse esforço divide-se em diversos eventos de dimensões variadas que a partir do inicio do mês de Outubro até ao inicio de Dezembro vão ocupando a agenda dos enófilos com eventos em quase todos os fins de semana. Um dos pontos altos destes 2 meses e meio de intensa actividade é o Encontro do Vinho e dos Sabores organizado pela Revista de Vinhos. Em jeito de antevisão daquilo que podem encontrar no EVS 2015 vou deixar aqui a minha cronica sobre uma prova especial em que participei na edição do ano passado e sobre a qual não tinha tido a oportunidade de escrever.
Olha!... Ganhei o Bloggers Challenge!...
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
10.10.15
Os meus objectivos para o Bloggers Challenge eram simples: Não perder por 3-0. O Bloggers Challenge mais do que uma competição em que o que conta é vitória pretende ser um evento de partilha de experiências e volta da comida e do vinho. Mas se ganhar ou perder não é o mais importante mas ainda assim preferia não perder por 3-0. Perguntavam-me ao inicio se estava nervoso e eu quase estranhado a pergunta dizia que não, afinal de contas as escolhas estavam feitas à muito tempo e naquele momento não havia nada com que ficar nervoso era o tempo para desfrutar a da companhia dos amigos que ali estavam para partilhar connosco aquela nossa brincadeira.
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