Dizia eu num dos últimos artigos que andava a faltar-me tempo. Isto enquanto pensava vir a aproveitar os dias de férias que estava por esses dias a gozar para tentar escrever uns artigos para suprir algumas faltas quando... Parti um braço, vim a correr do Algarve um dia antes do previsto, tive de ser operado com a instalação de uma placa, infelizmente sem wi-fi, e entre recuperação, idas e voltas ao hospital, dores e cansaço acabei por quase não conseguir escrever desde essa altura... À parte de uns instagrams, o estaminé ficou praticamente deserto durante quase 4 semanas e alguns artigos como este que estavam para ver a luz do dia continuaram dentro da minha gaveta recheada. Mas adiante, veremos se consigo regressar rapidamente à publicação de artigos com pelo menos a mesma regularidade com que estava antes deste incidente.
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Uma Vitória à Benfica
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Rui Barradas Pereira
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23.8.16
Para terminar (finalmente...) os artigos de balanço de 2015 faltava aqui falar da Gala dos Vinhos do Tejo na qual tenho estado presente nos últimos anos e na qual voltei a estar presente mais uma vez. É um dos momentos altos da industria vitivinícola do Tejo e que tem vindo nos últimos anos a juntar a componente gastronómica à componente vínica por via do concurso Tejo Gourmet.
Na Cozinha do Cyril
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Rui Barradas Pereira
em
30.7.16
Já foi há mais de 6 meses que voltei à cozinha do Cyril. A primeira vez que lá estive, faz já 4 anos numa noite épica em que acabei por não conhecer o Cyril mas somente o seu trabalho. Retrospectivamente vejo que nesse dia se tivesse que escolher um prato que me desse a conhecer o Cyril teria de ser a Bouillabaisse com Vieira e Pargo. Passei por lá mais uma vez mas só acabei por conhecer pessoalmente o Cyril passados 3 anos de conhecer a sua comida. Foi também num dia especial em que em modo petisqueiro comemos com a qualidade de restaurante de hotel de 5 estrelas os pratos que comeríamos numa das nossas tascas preferidas. Diferentes e cheios de novidade mas a dar o mesmo prazer visceral.
Os Melhores do Ano 2015
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Rui Barradas Pereira
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20.7.16
Continuando a minha extremamente atrasada caminhada pelo balanço do ano de 2015 queria deixar por aqui um curto apontamento acerca da Gala dos Melhores do Ano da Revista de Vinhos que se realizou no inicio deste ano. Sendo a tradição recente deste evento a alternância entre Lisboa e o Porto, este ano essa tradição foi quebrada com a realização deste evento no Centro de Alto Rendimento de Sangalhos em plena Bairrada. A Bairrada é uma das regiões nacionais que tem vindo a procurar afirmar-se como região a nível nacional e internacional e a realização deste evento por terras bairradinas foi mais uma acção a concorrer para a promoção da região que quer recuperar um prestigio que teve em meados do século passado ainda antes de ser uma região demarcada e que se desgastou um pouco no final deste século.
Da Cave da Dona Matilde
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Rui Barradas Pereira
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29.6.16
Foi no ido ano de 1927 que Manuel Moreira de Barros adquiriu a Quinta do Enxodreiro também conhecida com Quinta de Bagaúste devido à toponímia da sua localização. Era uma das quintas pertencentes à demarcação original do Douro classificada com letra A, a mais alta classificação da Região Demarcada do Douro. A propriedade encontrava-se em ruínas e Manuel Moreira de Barros recuperou-a e deu-lhe o nome de Dona Matilde, a sua esposa. Sete anos antes, Manuel Moreira de Barros tinha entrado como sócio na firma Almeida em Comandita do seu cunhado Manuel de Almeida dando origem à Barros, Almeida & Cª que por sua vez foi a base do Grupo Barros do qual também vieram a fazer parte entre outras empresas como a Kopke.
The World's 50 Best Restaurants 2016
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Rui Barradas Pereira
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14.6.16
A revista Restaurant divulgou esta madrugada a lista dos 50 melhores restaurantes do mundo. Pela primeira vez o anúncio não foi feito em Londres mas em Nova York no seguimento de uma estratégia de globalização desta lista. Em 2017 o anúncio será feito em Melbourne. Esta lista anual resulta da votação de mais de 900 especialistas da indústria da restauração mundial. O painel está organizado em 26 regiões com 36 jurados sendo pelo menos 10 de cada painel substituídos em cada ano. Cada jurado atribui 7 votos, sendo pelo menos 3 dos votos atribuídos a restaurantes fora da sua região. Para votar num restaurante é necessário ter comido nele nos 18 meses que precedem a votação e o jurado não poderá ter interesses profissionais nos restaurantes em que vota. A ordenação da lista é obtida pela soma do número de votos obtidos por cada restaurante.
Semana Gastronómica Italiana no Tryp Oriente
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Rui Barradas Pereira
em
28.4.16
O Augusto Gemelli é um dos chefs que teve um importante papel naquilo que se tornou a cozinha de autor em Portugal. Não sendo o único nem o primeiro a praticar uma cozinha de autor em Portugal foi um dos que pela sua notoriedade conseguiu tirar a cozinha de autor de alguns palcos mais restritos para a democratizar e contribuir para a criação de espaço para todos os jovens chefes que têm vindo recentemente a modernizar a gastronomia portuguesa.
Peixe em Lisboa 2016
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Rui Barradas Pereira
em
14.4.16
Está a decorrer mais um edição do Peixe em Lisboa. Estive por lá no passado Sábado desde a primeira hora e deixei-me ficar até à noite. Acabei por não ficar para as Noites do Peixe que estendem as noites até às 2 da manhã às Sextas e aos Sábados. Almocei em grupo tendo sido trazidos para a mesa uns 10 pratos que partilhámos por 4. Nesta ronda que apesar de abrangente esteve bem longe de ser completa destacaram-se os estreantes Ibo e Bertílio Gomes com Chapitô à Mesa e o veterano nestas lides, Ribamar.
Festival do Ouriço na Marisqueira César
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Rui Barradas Pereira
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9.4.16
O Festival do Ouriço do Mar está a decorrer na Ericeira até dia 10 de Abril com os 12 restaurantes participantes a oferecer pratos com Ouriço do Mar que na maioria dos casos só estarão disponíveis durante os dias do festival. Se forem apreciadores de Ouriços do Mar ainda têm dois dias para rumar à Ericeira e desfrutar destes pratos. Deixo-vos ficar com os instantâneos daquilo que poderão provar caso optem pela Marisqueira César.
Taste Wars - Episódio V - #2 Jour to Cook
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Rui Barradas Pereira
em
6.4.16
Continuação de Taste Wars - Episódio IV - Tabik
Depois de termos ido ao Tabik foi organizado um jantar a 4 mãos com o Manel Lino e o Ricardo Komori na Cozinha Popular da Mouraria. A Cozinha Popular da Mouraria é um projecto muito interessante criado pela Adriana Freire que conheci por aqui e por ali. Mais do que um restaurante pretende ser um porto de abrigo para o bairro. Durante a semana funciona como restaurante em que pessoas do bairro trabalham na cozinha e na sala servindo pratos de origens diversas a reflectir as também diversas origens dos seus habitantes. Uma vez por semana pelo menos abre a suas portas ao bairro para uma refeição comunitária em que alguns dos habitantes cozinham para os outros. Abre também para eventos especiais como foi este #2 Jour to Cook em que o Ricardo Komori se juntou ao Manel Lino numa quase despedida do Ricardo de Portugal com a sua saída do Bonsai para um ano sabático no Japão.
Depois de termos ido ao Tabik foi organizado um jantar a 4 mãos com o Manel Lino e o Ricardo Komori na Cozinha Popular da Mouraria. A Cozinha Popular da Mouraria é um projecto muito interessante criado pela Adriana Freire que conheci por aqui e por ali.
Quinta do Gradil
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Rui Barradas Pereira
em
1.4.16
A Quinta do Gradil é a bandeira do grupo Parras embora a atuação do grupo se estenda por 6 regiões vitivinícolas quer por via das suas propriedades próprias ou através dos seus parceiros a que dá apoio de viticultura e enológico. Pretende-se ter um bom equilíbrio entre o volume e os pequenos lotes direccionados a mercados mais exigentes. O volume por via de algumas marcas que se encontram na grande distribuição e os pequenos lotes por via da marca Quinta do Gradil e de algumas outras marcas próprias ou de parceiros.
Melhor Refeição do Barradas em 2015
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Rui Barradas Pereira
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21.3.16
Quando já pensavam que teria deixado cair este emblemático prémio anual aqui estou eu para sua reedição. O ano de 2015 foi um ano mais rico de experiências do que 2014. Foram circunstanciais as razões que levaram a isso e até seria previsível que fosse um ano menos fértil pois parecia haver pouca margem para parar e apreciar uma boa refeição. Acabou por ser um ano furacão em que até as experiências gastronómicas foram intensas e avassaladoras. Três destas experiências destacaram-se e o grande vencedor do prémio... bem, não é bem um prémio... afinal de contas não tenho nada para dar... e o grande vencedor da distinção Melhor Refeição do Barradas em 2015 é...
Taste Wars - Episódio IV - Tabik
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Rui Barradas Pereira
em
15.3.16
Continuação de Taste Wars - Episódio I - As Carrafouchas
Assim no aniversário da Ana, cumprindo a nossa tradição, lá fomos nós experimentar a cozinha do Manel ao Tabik. Antes de mais o espaço está muito bem conseguido, com um certo despojamento, com a textura do pinho usado na paredes e nas mesas a ser deixada nua dando-lhe um ar moderno com um toque de rusticidade. Estruturas de madeira como as que poderiam ter sido usadas para a estrutura das paredes de um edificio feito usando a técnica de tabique do período pombalino marcam os espaços da sala. A técnica de tabique designa genericamente a utilização de estruturas de madeira nas paredes dos edifícios com funções estruturais ao nível do edifício. No seguimento do terramoto de 1755 esta técnica foi aperfeiçoada usando técnicas usadas na construção naval dando origem à gaiola pombalina que foi usada aqui como imagem identitária do Tabik.
Assim no aniversário da Ana, cumprindo a nossa tradição, lá fomos nós experimentar a cozinha do Manel ao Tabik. Antes de mais o espaço está muito bem conseguido, com um certo despojamento, com a textura do pinho usado na paredes e nas mesas a ser deixada nua dando-lhe um ar moderno com um toque de rusticidade.
Bloggers Challenge the Third
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Rui Barradas Pereira
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9.3.16
No passado dia 4 de Fevereiro realizou-se a terceira edição do Bloggers Challenge. Desta vez o local da contenda foi o Volver de Carne y Alma, um restaurante bem interessante que há uns anos se chamava Quinta de Frades e há uns anos mudou para um registo mais carnívoro em torno carne e da comida com inspiração na Argentina. Nos tempos da Quinta dos Frades quando conheci este restaurante o Chakall era consultor no restaurante e na cozinha como chefe residente estava o Igor Martinho que em 2009 ganhou o concurso Chefe Cozinheiro do Ano.
Os Açores voltaram a Lisboa
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Rui Barradas Pereira
em
26.2.16
Os Açores voltaram mais uma vez a Lisboa e desde 19 de Fevereiro assentaram arraiais no Terraço do Tivoli Lisboa. Pela mão dos chefs do restaurante Anfiteatro integrado na Escola de Formação Turística e Hoteleira de Ponta Delgada, Sandro Meireles, Pedro Oliveira, Cláudio Pontes e Nuno Santos, foi a vez dos Açores em mais uma etapa nesta viagem por Portugal de Norte a Sul que a Fátima Moura e o Tivoli Lisboa nos tem vindo a proporcionar. Desta vez só já perto do final da iniciativa é que tive a oportunidade ir lá provar os Açores e digo-vos que valerá bem a pena aproveitarem os 2 dias que vos restam para passarem por lá.
A Diversidade de Lisboa
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Rui Barradas Pereira
em
7.1.16
Depois da publicação aqui do primeiro guia que compilei para a Stay.com deixo-vos aqui o segundo guia que junta alguns locais muito diversos e onde pretendi dar a mostrar alguma da diversidade cultural e gastronómica existente na cidade de Lisboa. Este guia ficou com o nome de Diverse Food Favorites in Lisbon e esta é a sua versão em português.
A Nova Tágide
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Rui Barradas Pereira
em
15.12.15
A Tágide é desde algum tempo um clássico lisboeta que apesar de não andar nas bocas do mundo tem mantido um nível de qualidade muito consistente e uma clientela fiel. Apela a uma clientela relativamente conservadora que gosta de um serviço requintado e com alguma inovação desde que as suas referencias continuem bem presentes. É nesta matriz que o Nuno Diniz assume a liderança d'A Tágide.
O Nuno Diniz vem de uma longa associação ao restaurante da York House, espaço que me parecia ter algumas semelhanças com A Tágide no conceito, salvaguardando o facto de ser um restaurante de hotel o que trás sempre diferenças em termos de público. Um dos grandes focos do Nuno Diniz tem sido ultimamente a Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa onde passa para uma nova geração o seu amplo conhecimento das técnicas, dos produtos e dos pratos da gastronomia portuguesa. Tem uma abordagem relativamente clássica dando primazia ao produto enquadrado em propostas que sem serem completamente convencionais assentam nas bases clássicas não tendo a rotura ou a diferenciação como fins por si próprios.
Um dos primeiros atos públicos desta associação foi um Jantar Vínico que contou com os vinhos da Niepoort que servia também como uma espécie de apresentação da nova carta d'A Tágide. O primeiro prato foi a Terrina de Foie Gras com Marmelo e Brioche, uma combinação ganhadora com o doce da massa do brioche e das passas que estavam na massa a cortarem a gordura do foie gras. A couve e o marmelo passaram um pouco ao lado com a couve a dar um pouco de textura e a marmelada a acompanhar o brioche na sua doçura. O vinho escolhido para acompanhar este prato foi o Niepoort Porto Branco 10 anos e fazia-o bastante bem esplorando também a ligação entre a doçura do vinho e o gordura do foie. Este Niepoort Porto Branco 10 anos mostrava-se laranja claro e com aromas ligeiros a laranja. Na boca mostrava uma acidez exuberante e ainda assim notava-se a doçura que acabava no entanto bem mediada pela acidez que lhe dava um ótimo comprimento de boca.
Seguiu-se o prato de peixe, o Peixe-Galo em Beurre Blanc, que estaria muito ligeiramente acima do ponto ideal para mim sem que isso prejudicasse o prato. Muito bem acompanhado pelo puré de batata e por o que parecia ser uma espécie de vinagrete que deveria ter sumo de laranja que liga sempre muito bem com estes peixes de carne branca e com mais sabor a mar. Escondidos no puré havia ainda uns grelos que tinham como objectivo dar textura ao acompanhamento e que cumprindo essa função apresentavam o problema não se cortarem facilmente o que acabava dificultar a sua abordagem. Foi, para mim, o prato da noite embora a luta com o prato de carne tenha sido acesa. A acompanhar o prato de peixe tínhamos o Redoma Branco 2014. O Redoma Branco 2014 mostrava-se amarelo claro ligeiramente esverdeado e com aromas minerais e um ligeiro cítrico. Na boca mostra boa acidez e um ligeiro vegetal. Pareceu-me notar uma ligeira doçura que acabava por lhe dar mais algum corpo na boca. É um grande vinho que já dá muito prazer e que ligou muito bem com o prato mas sempre que bebo vinhos como este tão novos fico sempre com um peso na consciência por estar a cometer a mais infame pedofilia vínica.
Seguiu-se como prato de carne a Bochecha de Vitela Barrosã que comentava-se tinha exigido o sacrifício de umas dezenas de vacas só para aquele jantar. Não é um corte habitual sendo bem mais comuns as bochechas de porco. Curiosa esta carne com sabores bem mais intensos do que a carne de vaca corrente mostrando um ligeiro amargor e um perfil de sabor que acabava por estar mais perto do cabrito do que da carne de vaca corrente. Confesso que neste tipo de carnes que prefiro que sejam submetidas a marinadas longas de maneira a retirar-lhes um pouco dessa sua rusticidade, mas sei que muita gente prefere te-la assim com sabores mais intensos e rústicos. Era assim um prato muito interessante pela novidade mas ao mesmo tempo um prato cheio de conforto.
Para acompanhar este prato havia dois vinhos para comparar a harmonização, o Redoma Tinto 2013 e o Conciso 2012. O Conciso é um Dão da Niepoort e à partida deveria ser uma melhor escolha em termos de harmonização tendo em conta o sabor forte da carne que deveria harmonizar bem com um vinho com boa acidez, alguns taninos e com aromas menos exuberantes e mais diretos como é habitual no Dão. O Conciso mostrava-se granada translucido com laivos violeta, aromas químicos com alguma terra molhada e algum floral proporcionando um conjunto algo exuberante no nariz. Na boca mostrava uma acidez também exuberante que lhe dava frescura mas também alguma sensação de verde. Acabei por acha-lo um pouco exuberante demais tornando-se uma distração com o prato. É um vinho que tem um perfil um pouco atípico que é e será um grande vinho mas para mim ainda está demasiado jovem. Mas muita gente gostará dele já assim. O Redoma pareceu-me mais próximo daquilo que seria para mim o ponto ideal de consumo mostrando-se granada translúcido com laivos violeta, com aromas balsâmicos e algumas violetas. Na boca mostrava boa acidez e taninos ligeiros muito elegantes. Acabei por preferi-lo tanto a solo como com o prato pois apesar do seu perfil parecer menos ajustado ao prato não tinha a exuberância do Conciso que para mim se revelou algo dissonante com o prato.
A sobremesa vinha pela mão de Francisco Siopa e apresentava uma Babá com Porto com Pêra Rocha a dois tempos e Frutos Secos. A pêra julgo ter sido embebedada com o vinho com que foi servida sendo acompanhada por uma babá que além do habitual rum também tinha o mesmo vinho. A Babá ou Babá ao Rum é um bolo tradicional napolitano em que a massa é embebida em rum. O conjunto resultava numa sobremesa muito elegante em que os frutos secos secos acrescentavam textura e sabores muito interessantes. O Niepoort Colheita 2005 mostrava-se acobreado, revelando aromas de frutos secos não muito exuberantes. Na boca mostrava boa acidez que proporcionava um bom comprimento de boca. Para fechar a refeição ainda foi servido um Niepoort LBV 2011 juntamente com excelentes trufas também feitas pela Siopa Chocolatier. O LBV mostrava-se Ruby opaco com laivos violeta e com aromas algo fechados com alguns aromas florais com a violeta a destacar-se. Na boca mostra uma acidez ligeira e alguns taninos a deixar revelar a juventude deste LBV.
A associação entre o chef Nuno Diniz e A Tágide parece assim ter tudo para dar resultado e parece poder proporcionar um encontro gracioso entre a técnica e primazia ao produto do chef Nuno Diniz e o desejo de refinamento e qualidade da fiel clientela d'A Tágide. O chef Nuno Diniz vai continuar n'A Tágide uma tradição iniciada há uns anos com a realização de 2 ou 3 almoços de cozido todos os anos. O primeiro será já em Janeiro, não sei se ainda valerá a pena correr a reservar pois no dia deste jantar já haveria poucos lugares, mas não perdem nada em tentar...


O Nuno Diniz vem de uma longa associação ao restaurante da York House, espaço que me parecia ter algumas semelhanças com A Tágide no conceito, salvaguardando o facto de ser um restaurante de hotel o que trás sempre diferenças em termos de público. Um dos grandes focos do Nuno Diniz tem sido ultimamente a Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa onde passa para uma nova geração o seu amplo conhecimento das técnicas, dos produtos e dos pratos da gastronomia portuguesa. Tem uma abordagem relativamente clássica dando primazia ao produto enquadrado em propostas que sem serem completamente convencionais assentam nas bases clássicas não tendo a rotura ou a diferenciação como fins por si próprios.
Um dos primeiros atos públicos desta associação foi um Jantar Vínico que contou com os vinhos da Niepoort que servia também como uma espécie de apresentação da nova carta d'A Tágide. O primeiro prato foi a Terrina de Foie Gras com Marmelo e Brioche, uma combinação ganhadora com o doce da massa do brioche e das passas que estavam na massa a cortarem a gordura do foie gras. A couve e o marmelo passaram um pouco ao lado com a couve a dar um pouco de textura e a marmelada a acompanhar o brioche na sua doçura. O vinho escolhido para acompanhar este prato foi o Niepoort Porto Branco 10 anos e fazia-o bastante bem esplorando também a ligação entre a doçura do vinho e o gordura do foie. Este Niepoort Porto Branco 10 anos mostrava-se laranja claro e com aromas ligeiros a laranja. Na boca mostrava uma acidez exuberante e ainda assim notava-se a doçura que acabava no entanto bem mediada pela acidez que lhe dava um ótimo comprimento de boca.
Seguiu-se o prato de peixe, o Peixe-Galo em Beurre Blanc, que estaria muito ligeiramente acima do ponto ideal para mim sem que isso prejudicasse o prato. Muito bem acompanhado pelo puré de batata e por o que parecia ser uma espécie de vinagrete que deveria ter sumo de laranja que liga sempre muito bem com estes peixes de carne branca e com mais sabor a mar. Escondidos no puré havia ainda uns grelos que tinham como objectivo dar textura ao acompanhamento e que cumprindo essa função apresentavam o problema não se cortarem facilmente o que acabava dificultar a sua abordagem. Foi, para mim, o prato da noite embora a luta com o prato de carne tenha sido acesa. A acompanhar o prato de peixe tínhamos o Redoma Branco 2014. O Redoma Branco 2014 mostrava-se amarelo claro ligeiramente esverdeado e com aromas minerais e um ligeiro cítrico. Na boca mostra boa acidez e um ligeiro vegetal. Pareceu-me notar uma ligeira doçura que acabava por lhe dar mais algum corpo na boca. É um grande vinho que já dá muito prazer e que ligou muito bem com o prato mas sempre que bebo vinhos como este tão novos fico sempre com um peso na consciência por estar a cometer a mais infame pedofilia vínica.
Seguiu-se como prato de carne a Bochecha de Vitela Barrosã que comentava-se tinha exigido o sacrifício de umas dezenas de vacas só para aquele jantar. Não é um corte habitual sendo bem mais comuns as bochechas de porco. Curiosa esta carne com sabores bem mais intensos do que a carne de vaca corrente mostrando um ligeiro amargor e um perfil de sabor que acabava por estar mais perto do cabrito do que da carne de vaca corrente. Confesso que neste tipo de carnes que prefiro que sejam submetidas a marinadas longas de maneira a retirar-lhes um pouco dessa sua rusticidade, mas sei que muita gente prefere te-la assim com sabores mais intensos e rústicos. Era assim um prato muito interessante pela novidade mas ao mesmo tempo um prato cheio de conforto.
Para acompanhar este prato havia dois vinhos para comparar a harmonização, o Redoma Tinto 2013 e o Conciso 2012. O Conciso é um Dão da Niepoort e à partida deveria ser uma melhor escolha em termos de harmonização tendo em conta o sabor forte da carne que deveria harmonizar bem com um vinho com boa acidez, alguns taninos e com aromas menos exuberantes e mais diretos como é habitual no Dão. O Conciso mostrava-se granada translucido com laivos violeta, aromas químicos com alguma terra molhada e algum floral proporcionando um conjunto algo exuberante no nariz. Na boca mostrava uma acidez também exuberante que lhe dava frescura mas também alguma sensação de verde. Acabei por acha-lo um pouco exuberante demais tornando-se uma distração com o prato. É um vinho que tem um perfil um pouco atípico que é e será um grande vinho mas para mim ainda está demasiado jovem. Mas muita gente gostará dele já assim. O Redoma pareceu-me mais próximo daquilo que seria para mim o ponto ideal de consumo mostrando-se granada translúcido com laivos violeta, com aromas balsâmicos e algumas violetas. Na boca mostrava boa acidez e taninos ligeiros muito elegantes. Acabei por preferi-lo tanto a solo como com o prato pois apesar do seu perfil parecer menos ajustado ao prato não tinha a exuberância do Conciso que para mim se revelou algo dissonante com o prato.
A sobremesa vinha pela mão de Francisco Siopa e apresentava uma Babá com Porto com Pêra Rocha a dois tempos e Frutos Secos. A pêra julgo ter sido embebedada com o vinho com que foi servida sendo acompanhada por uma babá que além do habitual rum também tinha o mesmo vinho. A Babá ou Babá ao Rum é um bolo tradicional napolitano em que a massa é embebida em rum. O conjunto resultava numa sobremesa muito elegante em que os frutos secos secos acrescentavam textura e sabores muito interessantes. O Niepoort Colheita 2005 mostrava-se acobreado, revelando aromas de frutos secos não muito exuberantes. Na boca mostrava boa acidez que proporcionava um bom comprimento de boca. Para fechar a refeição ainda foi servido um Niepoort LBV 2011 juntamente com excelentes trufas também feitas pela Siopa Chocolatier. O LBV mostrava-se Ruby opaco com laivos violeta e com aromas algo fechados com alguns aromas florais com a violeta a destacar-se. Na boca mostra uma acidez ligeira e alguns taninos a deixar revelar a juventude deste LBV.
A associação entre o chef Nuno Diniz e A Tágide parece assim ter tudo para dar resultado e parece poder proporcionar um encontro gracioso entre a técnica e primazia ao produto do chef Nuno Diniz e o desejo de refinamento e qualidade da fiel clientela d'A Tágide. O chef Nuno Diniz vai continuar n'A Tágide uma tradição iniciada há uns anos com a realização de 2 ou 3 almoços de cozido todos os anos. O primeiro será já em Janeiro, não sei se ainda valerá a pena correr a reservar pois no dia deste jantar já haveria poucos lugares, mas não perdem nada em tentar...
Comer e Beber em Lisboa
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
8.12.15
Como publiquei aqui há umas semanas atrás a Stay.com convidou-me a elaborar um guia com os meus locais favoritos em Lisboa para comer e beber vinho. Pediram-me 8 a 10 locais mas eu entusiasmei-me um bocado e escolhi 16 locais. Acabei por dividir os 16 locais em 2 guias de 8 locais cada. Um deles ficou com o nome de Wine and Dine in Lisbon e é este guia que publico aqui numa versão traduzida para português.
Guia Michelin 2016
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
1.12.15
Este ano estava com uma esperança (algo ingénua, eu sei) que a revelação das estrelas do Guia Michelin para Espanha e Portugal pudesse confirmar uma tendência que parecia estar a entrever, manutenção das estrelas existentes com a "descoberta" todos os anos de duas ou três novas estrelas em Portugal. Nos últimos 2 anos o saldo vinha a ser positivo sempre com novas estrelas, algumas recuperadas e com uma única perda há dois anos, o São Gabriel, que logo no ano seguinte recuperou a estrela. Pensei que pudesse estar a existir uma mudança de atitude do guia para com Portugal e que para respeitar o conservadorismo do guia esta viesse a ser feita de um modo faseado. Pensei que ao longo dos próximos anos viéssemos a assistir sempre a um crescimento do número de restaurantes estrelados até chegarmos a um número de restaurantes estrelados pelo menos mais próximo daquele que seria normal por via da diferença de dimensão entre Portugal e Espanha.
Regresso ao Aviz
Publicada por
Rui Barradas Pereira
em
26.10.15
O meu neto convidou-me para almoçar. É simpático da parte dele perder tempo com um velho senil como eu no meio da sua agenda sempre preenchida. Vamos ao Aviz. Eu gosto muito do Aviz e ele sabe disso. Quando era mais novo gostava de lá ir comer com a Ana Sofia. Naqueles tempos o Hotel Aviz era o único hotel verdadeiramente de luxo em Lisboa e o único comparável em Portugal era o Hotel Palácio do Bussaco. Quando chegamos à porta estranhei a entrada, não havia aqui um jardim? perguntei ao meu neto e ele disse-me qualquer coisa como não é o mesmo. Não é o mesmo?, pensei, Mas como é que não o mesmo? É o Aviz, não é? Fiquei sem perceber bem o que ele queria dizer. O meus ouvidos não andam nada bem...
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