O Domingos Soares Franco Colecção Privada Moscatel de Setúbal 2004 é feito com uvas da casta Moscatel de Alexandria e ao invés de se usar aguardente neutra, usa-se Armanhac na sua fortificação. Este vinho foi fruto das experiências feitas pelo Domingos no final dos anos noventa que chegaram ao mercado por via desta marca. Mostra-se laranja escuro com aromas a laranja, tangerina, ligeira glicerina e algum damasco. Acidez exuberante bem equilibrada pela doçura e untuosidade. Está excelente para beber já embora não seja de duvidar que certamente terá uma boa e longa vida.
O outro lado desta moeda é o Domingos Soares Franco Colecção Privada Moscatel Roxo 2005 onde de uma maneira simplista poderemos encontrar 3 diferenças: o ano de colheita é diferente, a casta usada é o Moscatel Roxo e a aguardente usada é neutra. O primeiro lançamento deste vinho no mercado, há uns anos atrás, marcou o renascimento desta casta que atravessou um período onde se chegou a temer a sua extinção. Nesta colheita de 2005 mostra-se cobre escuro com aromas florais, ligeira rosa, mel e o seu favo e passas de uva e figo. Boa acidez que deixa sobressair alguma da sua doçura na boca, revelando-se untuoso e longo na boca. Não parecia tão pronto como o seu irmão e pareceu-me que ainda estava um bocadinho chateado de ter sido fechado dentro de uma garrafa. Nada que uns meses em garrafa não resolvam e neste momento esse choque já deverá ter passado. Deixa também revelar um pouco mais de doçura por via de uma acidez menos exuberante que o seu irmão. Mas tal como este deixa-se adivinhar uma longa e próspera vida.
Desde o segundo Peixe em Lisboa que tenho vindo a provar estes vinhos com regularidade e se iniciei esta viagem com uma afeição maior pelo Roxo, tenho vindo cada vez mais a deixar-me seduzir pelo Armanhac. Nem sei bem se foi o perfil dos vinhos que foi sendo afinado ou se fui que mudei. Provavelmente os dois mas aposto que eu serei o maior culpado. Se inicialmente a exuberância aromática com uma forte componente floral me deixou rendido ao Roxo com o tempo tenho cada vez mais vindo a apreciar a acidez exuberante do Armanhac e seu perfil mais cítrico. Talvez isso se deva somente ao facto de ultimamente ter andado a beber Armanhacs com mais anos do que os Roxos, até porque o mercado parece preferir o Roxo, sendo este produzido em maior volume e escoando-se mais rapidamente. Mas fundamentalmente é uma questão de gosto pessoal, quem prefira um acidez exuberante que põe a doçura destes vinhos para segundo plano preferirá como eu o Armanhac, quem prefira a exuberância aromática e um perfil onde a doçura se sobrepõe ligeiramente à acidez preferirá o Armanhac. Isto sem embargo que algumas destas características poderão mudar ligeiramente com o tempo. Mas no final das contas será sempre uma vitória ao photofinish, pois qualquer um deles é um grande moscatel.
Os vinhos provados foram gentilmente oferecidos pelo produtor.
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