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Conjurando entre o Vinho e o Mármore - Primeiro Ato

Fizemo-nos ao caminho de manhã cedo em direção ao sol nascente. Tínhamos feito quase metade do caminho na véspera e pernoitamos em família. O dia estava frio mas soalheiro. Atrasamo-nos um pouco à saída e o ritmo teve de ser um pouco mais elevado do que preferia. Mas lá fomos fazendo aquela hora de viagem que nos esperava. Fui controlando o indicador da gasolina pois parecia-me que poderia chegar à reserva antes de chegar ao destino. Parecia tudo controlado quando de súbito, a menos de um quarto de hora do destino, entrámos na reserva e o indicador de gasolina desceu abruptamente para um nível desconfortável. Já não havia tempo para parar e reabastecer, baixei o ritmo e subi o stress. Chegamos à saída e começamos à procura do destino. Felizmente o destino estava ali à mão de semear. Estacionamos uns minutos depois da hora junto à Loja da Adega de Borba.

Conjurando entre o Vinho e o Mármore - Primeiro Ato - reservarecomendada.blogspot.pt

A Adega de Borba têm a estado nos últimos tempos a tentar aproximar-se dos seus clientes e umas das maneiras que encontrou para o fazer foi promover visitas à sua adega. Bem, em rigor, deveria dizer às suas adegas, mas já vão perceber o que quero dizer. Promoveram um pequeno inquérito sobre os vinhos da ceia de Natal através da página de Facebook da adega e quem respondesse era convidado a visitar a adega, a fazer um pequeno curso de iniciação à prova e ainda ofereciam uma garrafa de vinho. Apesar de achar que provavelmente o curso de iniciação à prova não seria dirigido a nós que já temos "alguma" experiencia de prova, seria sempre uma ótima oportunidade para visitar a adega e decidimos ir. O ponto de encontro era a loja a da adega. Não conhecia a loja. Um espaço interessante e funcional, tanto vende a garrafa como a caixa e se calhar até podia ir lá comprar uma palete. Encontram-se lá todos os vinhos em comercialização da adega e ainda algumas garrafas históricas da adega numa pequena área de exposição. Se passar por Borba valerá sempre a pena passar pela loja. Há aqui vinhos que não fáceis de encontrar e algumas promoções irresistíveis.



Pelo que percebi mais de uma centena de pessoas responderam a este convite e tiveram de ser divididas em quatro grupos, dois de manhã e dois de tarde. O nosso anfitrião foi Óscar Gato, diretor de enologia da Adega de Borba e começamos a visita junto aos tegões onde é feita a receção das uvas durante a vindima e onde é efetuada a vinificação dos vinhos. A vinificação dos 13 milhões de litros de vinho produzidos anualmente pela adega é feita quase totalmente numa zona coberta no exterior do edifício da adega que com o tempo se tornou pequena para o volume de vinhos produzidos pela adega. Apesar do espaço de armazenamento proporcionado pela adega com depósitos de cimento em altura e subterrâneos, debaixo dos nossos pés, o edifício da adega original não é usado para a vinificação e é fundamentalmente usado para o estágio e engarrafamento dos vinhos. É neste espaço também que se encontra o laboratório e a zona de escritório da adega.









Passámos por uma zona quase museológica onde estão guardadas as garrafas com os vinhos que foram enviados para certificação e que serve de antecâmera para uma verdadeira gruta de Aladino onde estão guardadas as garrafas de Borba Reserva Rotulo de Cortiça que a adega mantêm para a posteridade. Continuamos pelas linhas de engarrafamento que normalmente só funcionam durante a semana e assim estavam paradas nesse sábado. Passámos ainda pelas salas de barricas e pela zona de paletização no final das linhas de engarrafamento.













Nesta visita tornou-se obvio que a adega original há muito tempo que se estava a tornar pequena para o volume de produção da adega e que um novo espaço seria essencial para continuar a manter estes níveis de produção. Assim a cooperativa iniciou a construção uma nova adega que pudesse resolver os problemas de espaço que estavam a ser sentidos. Assim já estão construídas e praticamente operacionais duas naves da nova adega (uma para armazenamento e expedição e outra para vinificação e estágio) e será construída uma terceira para alojar as linhas de enchimento. Na vindima passada já foi feito um test-drive da nova adega tendo uma parte da vindima sido vinificada ali. A dimensão desta nova adega é verdadeiramente avassaladora...

















Na construção da nova adega foram usadas algumas técnicas de maneira a baixar e tornar constante a temperatura da adega de maneira natural. A cobertura da adega é uma espécie de jardim que serve de isolante térmico. As suas paredes exteriores apresentam uma espécie de prateleiras de mármore que além de darem bastante jeito para pousar copos e proporcionarem um belo efeito estético usando um material característico da região também evitam que o sol bata diretamente na parede. A nova adega conta também com espaços dedicados ao enoturismo como a futura sala de barricas, ainda vazia, que é carinhosamente chamada de pista de aviões devido à sua iluminação. Existem ainda espaços para a receção de visitantes e realização de ações de promoção com uma espécie de esplanada na cobertura do edifício.



Terminada a visita à adega, regressámos à adega antiga onde nos juntamos ao outro grupo de visitantes da manhã para o curso de iniciação à prova. As minhas expectativas relativamente a este curso vieram a confirmar-se sendo bastante didático para quem nunca teve nenhum curso de iniciação à prova embora a nós não nos trouxesse muitas novidades. Os vinhos provados durante o curso foram a gama corrente da adega nas versões branco, rosé e tinto, o Montes Claros Reserva 2011, o Borba Premium Tinto 2010 e o Borba Rótulo de Cortiça Reserva 2008. Tive pena que o rótulo de cortiça fosse o 2008 e não 2011 que ainda não tinha provado. Mas ainda deu para aprender que a Trincadeira, em algumas situações, têm um perfil aromático muito semelhante ao Cabernet Sauvignon, coisa que nunca me tinha apercebido antes.

Terminado este pequeno curso de prova estava na hora de voltar à loja para levantar a oferta e fazer algumas compras. Acabei por comprar os vinhos que gostava de ter provado. Do rótulo de cortiça trouxe o Branco Reserva 2011, o Tinto Reserva 2011 e o Tinto Grande Reserva 2009. Trouxe ainda o Montes Claros Garrafeira 2008 e o Borba Garrafeira 2002. Depois trouxe umas caixas de uns mono e bi-varietais das colheitas de 2005 e 2006 que a estão à venda na loja a um preço muito convidativo.

O almoço chamava-nos mas estávamos um pouco sem saber o que fazer. Estando tão perto de Vila Viçosa no fim de semana da abertura do Marmòris pensámos em ir provar em primeira mão o Narcissus, o novo desafio do Alexandre Silva depois da vitória no Top Chef e do encerramento do Bocca. Mas ligámos para lá e devido a um serviço de banquete que estava a ser realizado no hotel o restaurante não estava a fazer o serviço normal. Assim além de termos o depósito do carro vazio, ficámos sem saber o que fazer...

Sem destino definido fomos até á bomba de gasolina nos limites da cidade para abastecer o carro. Paramos na bomba e perguntaram: Gasolina 95? Sim...- repliquei. Está esgotada... Meio desesperado, perguntei: Qual é bomba mais próxima? ao que nos replicaram: Para onde vão? Parece que tínhamos mesmo que de decidir o nosso destino, como sempre na vida... Para Vila Viçosa... Podem abastecer lá. São uns cinco quilômetros. E lá fomos...

Ler Segundo Ato

Gordon Ramsay - www.wook.pt

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