Festival do Vinho do Douro Superior 2014

O Douro Superior é uma sub-região da Região de Demarcada do Douro que se estende ao longo da bacia hidrográfica do Douro entre o Cachão da Valeira e a fronteira com Espanha. Apesar de a produção de vinho nesta região se perder nos tempos, esta sub-região não fazia parte da demarcação original da Região Demarcada do Douro feita entre 1758 e 1761 e chamada de Demarcação Pombalina. Por essa altura o Douro só era navegável até ao Cachão da Valeira onde enormes afloramentos rochosos formavam uma cascata que impedia a navegação.

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Assim a produção de vinho nesta região era reduzida devido às dificuldade de escoamento deste. A demolição destes afloramentos rochosos iniciada em 1780 e concluída em 1792 permitiu a passagem dos primeiros barcos por este local em 1789 e tornou o Douro navegável até Espanha. Progressivamente sucessivas demarcações foram alargando a região demarcada, rio acima, ao longo do Douro Superior. Em 1907 um decreto do governo de João Franco regulamenta a Região Demarcada do Douro e faz a demarcação da região em moldes semelhantes aos que esta apresenta atualmente incluindo todo o Douro Superior desde o Cachão da Valeira até à fronteira com Espanha.


Devido à sua história o Douro Superior é a sub-região do Douro com maior área mas menor implantação de vinha, talvez por isso é também aquela que tem tido um maior crescimento, continuando com um potencial de crescimento muito grande. Actualmente a ocupação de vinha na sub-região andará pelos 9% da área total contrastando com os mais de 20% e 30% de ocupação nas sub-regiões do Cima Corgo e Baixo Corgo. Ainda assim cerca de 20% da produção de vinhos do Porto e do Douro provêm desta sub-região. O Douro Superior têm também caraterísticas climáticas um pouco diferentes daquelas presentes no Baixo e Cima Corgo tendo amplitudes térmicas um pouco maiores e sendo mais seco que estes. Apesar de ser a zona do Douro mais tardiamente demarcada não deixa de ser o berço de alguns dos vinhos mais emblemáticos do Douro. Só para referir um dos que têm maior notoriedade foi aqui, na Quinta do Vale Meão, um dos últimos legados de D. Antónia Adelaide Ferreira, que nasceu o mítico Barca Velha. Atualmente e desde o final do século passado mudou-se para a moderna Quinta da Leda também no Douro Superior mas mais a montante do rio Douro.


Foi em Vila Nova de Foz Côa, em pleno coração do Douro Superior, que se realizou pelo terceiro ano consecutivo o Festival do Vinho do Douro Superior. Tive o privilegio de lá estar durante os três dias do evento. Foram três dias bastante intensos em que além da visita aos stands dos produtores no recinto da ExpoCôa, foi possível participar em provas comentadas de vinhos e azeites, jantares vínicos e visitas.


Notou-se uma participação bastante abrangente por parte dos produtores da sub-região neste festival parecendo existir um sentimento de pertença muito saudável. O fluxo de público foi aumentando ao longo dos dias do evento e se em alguns momentos os espaço estava bastante bem composto nunca ficou demasiado cheio, nem desconfortável. Pareceu-me que fundamentalmente o público era local e aqui talvez houvesse alguma coisa a fazer para trazer mais pessoas de fora da região. Uma coisa que não gostei de ver foi alguns stands de produtores desertos em alguns períodos do dia. Dá uma imagem pouco profissional e alguns vinhos terão ficado por provar também devido isso.


Integrado no programa do festival realizou-se a terceira edição do Concurso de Vinhos do Douro Superior que atribuiu 12 medalhas de ouro, 17 de Prata e 26 de Bronze. Foram ainda atribuídos prémios de Melhor Vinho em três categorias. O Muxagat Os Xistos Altos Rabigato 2011 foi considerado o Melhor Vinho Branco, enquanto ao Quinta da Touriga Chã 2011 foi atribuido o prémio de Melhor Vinho Tinto e o Quinta do Vesúvio Vintage 2012 ganhou o prémio de Melhor Vinho Generoso. A lista completa de prémios pode ser consultada aqui.


Nunca tendo visitado Vila Nova Foz Côa antes, achei que a região têm um grande potencial turístico que fico na dúvida se esteja a ser completamente explorado. O rio, a vinha, as gravuras e o Museu do Côa deveriam conseguir trazer um fluxo constante de turistas que poderiam reforçar o desenvolvimento económico da região. Por ora, se isso já acontece, não me foi muito visível, parecendo-me haver uma atitude um pouco passiva. Fiquei com a ideia de que o Museu do Côa tem servido de ancora ao desenvolvimento turístico da região mas parece ser um esforço algo solitário e que provavelmente seria interessante uma maior articulação com outros atores turísticos, como são também os produtores de vinho, para criar uma oferta integrada que pudesse atrair ainda mais pessoas.


Durante os próximos tempos tenciono deixar por aqui a minhas impressões sobre os diversos momentos destes dias. Penso fazer mais três artigos sobre estes dias, um sobre os jantares, outro sobre as provas comentadas e outros sobre as visitas. Haja tempo para escrever...

As Visitas do Festival do Vinho do Douro Superior 2014
Os Jantares do Festival do Vinho do Douro Superior 2014
As Provas do Festival do Vinho do Douro Superior 2014

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